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Advogado Constitucional

Advogado Constitucional: direitos fundamentais, controle de constitucionalidade e quando buscar orientação jurídica

person Cleymarlei Borges schedule 8 min de leitura

Advogado constitucional é o profissional especializado na interpretação e aplicação da Constituição Federal de 1988, que atua na defesa de direitos fundamentais, no controle de constitucionalidade das leis e na propositura de ações constitucionais específicas. A atuação desse especialista é necessária quando um ato do poder público viola garantias asseguradas pelo texto constitucional ou quando normas precisam ser questionadas perante os tribunais competentes.

O direito constitucional é o ramo que estrutura o Estado, distribui competências entre os poderes e assegura os direitos individuais, coletivos e sociais. Qualquer conflito que envolva violação de garantias fundamentais situa-se no campo de atuação desse especialista, seja em nível federal, estadual ou municipal.

O que faz um advogado constitucional

O advogado constitucional atua na defesa de direitos diretamente ancorados na Constituição Federal e na análise da compatibilidade de leis e atos administrativos com a Carta Magna. Seu trabalho pode envolver desde a propositura de ações constitucionais individuais até a participação em ações de controle abstrato perante o Supremo Tribunal Federal.

Esse profissional representa cidadãos, organizações e entidades cujos direitos fundamentais foram violados ou ameaçados pelo poder público. A especialização exige domínio da jurisprudência do STF, dos mecanismos processuais constitucionais e das teorias de interpretação constitucional aplicadas pelos tribunais brasileiros.

Para situações que demandam defesa de garantias constitucionais e tramitação nos tribunais superiores, contar com a orientação de um advogado constitucional é indispensável para definir a estratégia processual mais adequada ao caso.

Direitos fundamentais e sua proteção judicial

Os direitos fundamentais estão previstos no Título II da Constituição Federal e compreendem direitos individuais, coletivos, sociais, de nacionalidade e políticos. Os mais acionados judicialmente incluem o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à saúde, à educação e ao devido processo legal.

A proteção judicial pode ocorrer por diferentes instrumentos, conforme a natureza da violação. O habeas corpus protege a liberdade de locomoção. O mandado de segurança protege direito líquido e certo ameaçado por autoridade pública. O habeas data assegura o acesso a informações pessoais mantidas em registros governamentais. Cada instrumento tem requisitos e prazos próprios que precisam ser rigorosamente observados.

Questões que envolvem relações com o poder público frequentemente transitam entre o direito constitucional e o administrativo. A orientação de um advogado administrativo pode ser importante quando a violação decorre de ato administrativo passível de revisão tanto na via administrativa quanto na judicial.

Controle de constitucionalidade: concentrado e difuso

O Brasil adota um sistema misto de controle de constitucionalidade. No controle difuso, qualquer juiz ou tribunal pode afastar a aplicação de uma lei inconstitucional ao caso concreto, como questão incidental ao processo. No controle concentrado, a constitucionalidade da norma é o próprio objeto da ação e compete a tribunais específicos analisá-la.

As principais ações do controle concentrado federal são propostas perante o Supremo Tribunal Federal e incluem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Apenas os legitimados previstos no art. 103 da Constituição Federal podem propô-las, como o Presidente da República, partidos políticos com representação no Congresso e entidades de classe de âmbito nacional.

No âmbito estadual, os Tribunais de Justiça exercem controle de constitucionalidade em face das Constituições Estaduais. A escolha da via adequada depende da natureza da norma questionada, da legitimidade do proponente e do objeto da demanda.

Remédios constitucionais: habeas corpus, mandado de segurança e outros

A Constituição Federal prevê um conjunto de remédios constitucionais voltados à proteção de direitos em situações concretas.

  • Habeas corpus: protege a liberdade de locomoção quando alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal, conforme o art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal.
  • Mandado de segurança: protege direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data, ameaçado ou violado por ato de autoridade, nos termos da Lei nº 12.016/2009. O prazo é de 120 dias a contar da ciência do ato lesivo.
  • Mandado de injunção: cabível quando a omissão normativa impede o exercício de direito constitucional, conforme a Lei nº 13.300/2016.
  • Habeas data: garante o acesso e a retificação de informações pessoais constantes de registros governamentais, nos termos da Lei nº 9.507/1997.
  • Ação popular: permite que qualquer cidadão questione atos lesivos ao patrimônio público ou à moralidade administrativa, conforme a Lei nº 4.717/1965.

Quando buscar orientação de um advogado constitucional

A orientação especializada em direito constitucional é necessária quando o conflito envolve violação direta de direito fundamental assegurado pela Constituição, quando uma lei ou ato normativo precisa ser questionado por incompatibilidade com a Carta Magna, ou quando a demanda exige o uso de remédios constitucionais com prazos rígidos.

Casos envolvendo liberdade de expressão, liberdade religiosa, direito de greve, proteção de minorias, acesso a serviços públicos e conflitos de competência entre entes federativos são exemplos de situações que demandam expertise constitucional. Questões que chegam ao STF ou aos Tribunais de Justiça em sede de controle abstrato requerem profissional com domínio técnico específico nessa área.

Quando a demanda constitucional tramita perante os tribunais superiores, a atuação integrada com um advogado de tribunais superiores amplia a capacidade de resposta processual e pode ser determinante para o resultado final.

Perguntas frequentes

O que é controle de constitucionalidade e quem pode iniciá-lo?

Controle de constitucionalidade é o mecanismo pelo qual o Poder Judiciário verifica se leis ou atos normativos estão em conformidade com a Constituição Federal. No controle difuso, qualquer parte pode arguir a inconstitucionalidade como questão incidental em um processo judicial comum. No controle concentrado, apenas os legitimados listados no art. 103 da Constituição Federal podem propor as ações diretas perante o STF.

Quando cabe mandado de segurança em vez de ação ordinária?

O mandado de segurança cabe quando o direito é líquido e certo, ou seja, está comprovado de plano sem necessidade de dilação probatória, e está sendo violado ou ameaçado por ato de autoridade pública. O prazo para impetração é de 120 dias a contar da ciência do ato lesivo, conforme o art. 23 da Lei nº 12.016/2009. Se o direito exige produção de provas ou não está claramente definido, a via adequada é a ação ordinária.

É possível questionar a constitucionalidade de uma lei municipal?

Sim. Leis municipais podem ser questionadas por inconstitucionalidade em face da Constituição Estadual, por meio de ação direta proposta ao Tribunal de Justiça do estado. Em face da Constituição Federal, a inconstitucionalidade pode ser arguida de forma incidental em processos judiciais comuns ou, em situações específicas, por meio de ADPF perante o STF.

Qual a diferença entre direitos fundamentais e direitos humanos?

Direitos humanos são reconhecidos em tratados internacionais e possuem validade universal, independentemente de positivação em cada país. Direitos fundamentais são esses direitos quando incorporados ao ordenamento jurídico interno de um Estado, passando a ter proteção constitucional. No Brasil, os tratados de direitos humanos aprovados com quórum qualificado têm equivalência de emenda constitucional, conforme o art. 5º, parágrafo 3º, da Constituição Federal.

Conclusão

A defesa de direitos fundamentais exige estratégia processual precisa e conhecimento aprofundado da jurisprudência constitucional. A escolha entre os remédios constitucionais disponíveis, a identificação da via adequada para questionar a constitucionalidade de normas e o enquadramento correto das violações ao texto constitucional são fatores que definem o resultado de uma demanda nessa área. Diante de conflitos com o poder público ou situações que envolvam garantias previstas na Constituição Federal, a consulta a um profissional especializado em direito constitucional é o passo mais seguro antes de qualquer medida judicial.

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